Blog Esalqueanos
CORTES ORÇAMENTÁRIOS AO ENSINO E PESQUISA PÚBLICAS EM 2026 (Mentão; F73)
21/01/2026 - Por josé otávio machado mentenAtenção: Os textos e artigos reproduzidos nesta seção são de responsabilidade dos autores. O conteúdo publicado não reflete, necessariamente, a opinião da ADEALQ.
A LOA de
2026 (Lei Orçamentária Anual) aprovada pelo Congresso Nacional ao final de 2025
é extremamente preocupante para o futuro do Brasil, que precisa de mais
investimentos em ciência, tecnologia e educação, para aprimorar sua soberania e
desenvolvimento.
A LOA de 2026 aprofunda um quadro de restrição
estrutural à educação profissional, científica e tecnológica das instituições
federais, num período que se discute o Plano Nacional de Educação e o Sistema
Nacional de Educação.
As restrições ao financiamento da pesquisa pública
devem prejudicar os avanços científicos, fundamentais para o desenvolvimento
econômico e a justiça social.
As Universidades Federais sofrerão
um corte de quase 7% (R$ 500 milhões) para custeio e investimentos, podendo
comprometer atividades de ensino, pesquisa e extensão. O setor de ciência,
tecnologia e comunicações terá orçamento 5%, inferior ao valor de 2025, com
cortes de cerca de R$ 400 milhões, afetando instituições como CNPq (Conselho
Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico) e CAPES (Coordenação do
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior).
Os cortes agravam a situação já
crítica no Brasil, que precisa de inovações para se consolidar como um país
capaz de responder a desafios estratégicos.
Diversas entidades de defesa da
ciência como a ABC (Academia Brasileira de Ciências) e a SBPC (Sociedade
Brasileira para o Progresso da Ciência), a ABCA (Academia Brasileira de Ciência
Agronômica) divulgaram posicionamentos de alerta para os prejuízos à formação
de pesquisadores e a possível interrupção de pesquisas cientificas. Estes
cortes poderão, inclusive, afetar as bolsas para estudantes de mestrado e
doutorado.
De acordo com a
ABC e a SBPC, o orçamento do CNPq, aprovado para 2026, representa uma redução
real da capacidade de fomento, com impacto direto sobre bolsas de iniciação
científica, mestrado, doutorado, pós-doutorado e modalidades estratégicas,
inclusive aquelas voltadas à inovação e ao empreendedorismo. Esse orçamento é
insuficiente para compensar o recuo expressivo nas bolsas, que constituem o
eixo estruturante da formação científica no país.
A situação da CAPES é particularmente grave. O
orçamento aprovado implica perda real da capacidade de financiamento da pós
graduação brasileira, afetando tanto o ensino superior quanto a formação de
professores da educação básica. Em um contexto de expansão das demandas
científicas e tecnológicas do País, o corte no a compressão do orçamento
compromete a formação de recursos humanos altamente qualificados e fragiliza a inserção
internacional da ciência elemento fundamental para o Brasil.
De acordo com ABCA, nas ciências agronômicas a
pesquisa científica é essencial para a segurança alimentar, a sustentabilidade
dos agrossistemas, o enfrentamento dos efeitos das mudanças climáticas, a
biossegurança e a competividade do agronegócio. O desenvolvimento de sistemas
agrícolas sustentáveis e que possam mitigar efeitos negativos de eventos
climáticos extremos com preservação de ecossistemas naturais e de recursos como
o solo e a água, exige suporte à pesquisa científica.
Estes cortes fragilizam a produção de conhecimento e desestimulam jovens pesquisadores, promovendo, inclusive, a saída de talentos para realizarem atividades em outros países. Importante ressaltar que conhecimento é essencial para o desenvolvimento do Brasil!
José Otávio Menten
Eng.
Agrônomo, Professor Sênior USP/ESALQ, Presidente da CCAS (Conselho Científico Agro Sustentável),
membro da ABCA (Academia Brasileira de Ciência Agronômica).