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TAXAÇÃO DA CARNE BOVINA BRASILEIRA PELA CHINA (Mentão; F73)
21/01/2026 - Por josé otávio machado mentenAtenção: Os textos e artigos reproduzidos nesta seção são de responsabilidade dos autores. O conteúdo publicado não reflete, necessariamente, a opinião da ADEALQ.
A China
anunciou que, a partir de 1º de janeiro de 2026, vai taxar em mais 55% a carne
bovina brasileira importada que ultrapassar a cota de 1,1 milhão de toneladas.
Até a cota, a taxa continuará em 12%. Em 2025 a China importou 1,7 milhão de
toneladas de carne bovina do Brasil; se for mantida a quantidade, 600 mil
toneladas terão a tarifa extra de 55%.
Outros
países, como Argentina, EUA, Uruguai e Austrália, também terão cotas
estabelecidas e tarifas extras de 55% no que superar as cotas. Trata-se de uma
medida que visa proteger os produtores chineses, que estão investindo para
aumentar a produção nacional.
Trata-se de notícia
complicada, que exige ação do governo e entidades do setor do Brasil. O Brasil é
o 5º maior produtor de agronegócio mundial (2,6%) e o 3º maior exportador
(8,4%). É o país que apresenta o maior saldo comercial no agronegócio mundial. O
Brasil exporta para mais de 150 países. As carnes são o 2º produto mais exportado pelo agronegócio
brasileiro (18%), só sendo superado pelo complexo soja (36%). A China é o
principal destino das exportações do agronegócio brasileiro (31%). Entre estes
produtos se destaca a carne bovina.
O Brasil é o
principal produtor (12,4 milhões de toneladas) e o 2º maior exportador de carne
bovina do mundo. Exporta cerca de 30% da sua produção. O principal destino da
carne bovina brasileira exportada é a China (48%). As exportações do Brasil são
responsáveis por 54% das importações da China. Alguns setores do Brasil já esperavam
o estabelecimento de cotas e sobretaxas. Serão necessários ajustes no mercado,
que já vinha se preparando para conviver com o comércio internacional como um
instrumento geopolítico. Entidades privadas, como a ABIEC (Associação
Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne) e a CNA (Confederação da
Agricultura e Pecuária do Brasil), e do governo, como o MAPA (Ministério da
Agricultura e Pecuária), MRE (Ministério das Relações Exteriores) e MDIC
(Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) devem atuar
para minimizar os efeitos negativos da medida. O Brasil mantém um Adido Agrícola
na China, que deverá contribuir para manter as boas relações comerciais
Brasil-China, que vêm se consolidando nos últimos anos. A tarifa extra deve ser
medida temporária sujeita a ajustes.
O consumo de
carne bovina continua crescente na China. A produção chinesa é de cerca de 7,8
milhões de toneladas. A estratégia da medida visa oferecer alguma proteção aos
pecuaristas locais e ampliar a produção doméstica. Atualmente, a China importa
30% da carne bovina consumida.
A medida
adotada pela China pode funcionar como um desestímulo aos investimentos dos
pecuaristas brasileiros. Entretanto, o fortalecimento das relações entre os
dois países, especialmente comerciais, vem se intensificando. A medida pode gerar
distorções internas na China, induzindo inflação.
O Brasil pode, ainda, recorrer à OMC (Organização
Mundial do Comércio) e tentar ampliar a cota estabelecida. Isto porque as
exportações fora da cota vão se tornar mais difíceis. E a China vinha
defendendo um comércio internacional sem salvaguardas.
De qualquer forma, o Brasil deve diversificar o mercado de importadores de sua carne bovina. Não é conveniente para qualquer produto, concentrar 48% das exportações para um único país. E, para isto, deve usar todas as estruturas privadas e públicas, visando alçancar este objetivo a curto prazo. Nos últimos anos, 29 mercados foram abertos.
José Otávio Menten
Eng. Agrônomo, Professor Sênior USP/ESALQ, Presidente da CCAS (Conselho Científico Agro Sustentável), membro da ABCA (Academia Brasileira de Ciência Agronômica).